16 de fevereiro de 2012
Me visto, logo existo. E a arte de contar histórias.
Foi necessário que Pat Heelen, declarasse a independência dos padrões e regras da moda para que alguns acordassem. Não digo que o feito foi em vão, pois é extremamente útil ouvir da top fashion stylist nova-iorquina que a moda deve ser um determinante de nosso ser interior e que podemos expressar nosso verdadeiro EU a partir nossas experiências e referências, que mudam tanto de pessoa pra pessoa. Para Pat, construírmos um estilo a partir de nosso gosto pessoal é o que nos transforma em seres reais, quem de fato somos neste mundo tão conformista.
Well, para mim sempre foi assim.
Ainda bem que a moda é um retrato do mundo em movimento e sempre tem algo ou alguém novo surgindo pra incrementar o cenário, ora com quebras de paradigmas, ora com incorporações de sonhos. Optando pelo universo de sonhos, puxo o papo aqui para falar das irmãs Mulleavy. Quem já as conhece, sabe. Quem não, talvez precise saber. As criadoras da Rodarte, Kate e Laura, não estão neste mundo a passeio. Elas vieram pra fazer arte através da moda, e fazem, de fato.
Nascidas em Pasadena, Califórnia, estudaram História da arte e Literatura moderna e, em 2005 e com economias próprias lançaram, em casa mesmo, suas primeiras 10 peças, feitas a mão.
A marca Rodarte (sobrenome materno) foi lançada quando as duas se mudaram para Los Angeles, e no final de 2005 já estavam na NY Fashion Week.
Depois disso, foram vários prêmios, colaborações com Target, Gap e Oppening Cerimony, Nicholas Kirkwood e Christian Louboutin, uma coleção feita especialmente para Pitti Imagine (quando eu vi ao vivo não acreditei que era real) que hoje faz parte do acervo do Los Angeles County Museum of Art, a construção do figurino do filme Cisne Negro, mais alguns filmes, short films, e ontem, o lançamento da primeira linha de sapatos Rodarte, 6 modelos que serão lançados a partir de julho além de uma coleção-bomba que retrata a sensibilidade em desdobrar os temas que escolhem.
Inspiradas nas várias camadas da cultura australiana fica nítida a capacidade de misturar a imponente aristocracia inglesa com pinturas rupestres da cultura aborígene, a coleção é, de novo, mágica, une o bruto com o delicado em uma mescla linda de camadas e texturas repletas de estampas, nunca vi parecido.
“Eu gosto de contar histórias. Para mim, moda é uma maneira de contar histórias que são visuais, do mesmo jeito que cinema”, explica Laura.
Ontem, em NY, estavam no front row ninguém menos que George Lucas, entre Dakota Fanning e Natalie Portman (elas, bem figurinadas de Rodarte). George Lucas disse ao LA Times que é um obcecado pelo trabalho das irmãs, que também nunca foram a Austrália e como ele têm o dom de se tele-transportar para terras muito, muito distantes.
Não é linda a bolsa-livro da Dakota Fanning?
Olhando um pouco para trás, tem muito mais pra se ver. Confere o desfile da última coleção que não dá pra perder. Para ter uma prévia, olha essa montagem de estampas e texturas VanGogh inspired.
Também tem que ver os blusões em tricot irregular, assim como as estampas de madeira e o ultra golden mood do SS2011, elementos que aparecem um pouco no filme The curve of forgotten things, de Todd Cole feito para o Nowness, outra coisa imperdível!
O que acontece com a Rodarte vai de alguma forma ao encontro do que Pat Eleen disse: “não é preciso saber de todas as regras para fazermos moda. afinal quando elas começaram não sabiam como montar uma coleção, nem que no inverno era necessário ter casacos, se estivermos sendo fiéis com nossas referências, estaremos ultrapassando limites e saindo da simples moda para a dita Filosofia da Moda (que termo maravilhoso!).
Por Isadora Bertolucci
Fotos: Vogue UK, Rabbani e Solimene Fotografia / Getty Images. Fotos da coleção por Neilson Barnard / Getty Images, Jason DeCrowe / Associated Press e The Cutting Class blog.
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- Autor recallage
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Que texto lindo, gurias! Dá para sentir as texturas das roupas. Adorei :)
tudo da Isa!! bárbaro, né? beijos