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12 de dezembro de 2012

Arte de vestir

Uma velha questão ronda a cabeça de quem pensa sobre moda: afinal, moda é arte? Sinceramente, não sei, mas posso afirmar que moda e arte têm uma relação muito próxima. Quando vemos um belo editorial, por exemplo, não podemos negar que se trata de uma obra de arte. Ele pode ser comercial, feito com a finalidade de vender roupas, mas também pode carregar um conceito, fazer pensar, romper barreiras – características da arte.

Essa relação entre arte e moda se torna ainda mais explícita quando um artista reconhecido empresta o seu trabalho para uma marca de roupas. Isso acontece desde o início do século passado, quando Salvador Dalí trabalhava em parceria com a estilista Elsa Schiaparelli. Mas o exemplo mais famoso é o vestido Mondrian, criado por Yves Saint Laurent em 1965, um vestido tubinho estampado com um quadro do pintor Piet Mondrian. Nesse caso, não foi um artista que colaborou com uma marca, e sim um estilista que usou o trabalho de um artista na sua criação. Seja como for, a arte estava ali, explicitamente estampada no vestido. Seguindo essa mesma linha, a coleção para o verão 2012 da Rodarte trouxe vestidos estampados com dois famosos quadros de Van Gogh: Girassóis e Noite Estrelada.

Já a Louis Vuitton é campeã no quesito chamar um artista plástico para colaborar com a marca. A primeira parceria aconteceu em 2001, quando Stephen Sprouse foi chamado para “grafitar” as bolsas da grife com o nome “Louis Vuitton” em cores chamativas. A coleção foi um enorme sucesso, tanto que todas vocês devem lembrar dela até hoje, passados mais de 10 anos. Depois foi a vez do japonês Takashi Murakami, que colaborou com a marca em dois momentos: primeiro colorindo o famoso monograma da grife e, mais recentemente, levando seus desenhos em estilo mangá para roupas e acessórios.

Agora em 2012 aconteceu a que pode ser chamada de mais exitosa parceria entre a Louis Vuitton e um artista plástico, quando a também japonesa Yayoi Kusama foi convidada a encher de bolinhas – sua marca registrada – as peças da grife. A coleção, intitulada “Infinitely Kusama”, ficou divertida, bonita e altamente desejável, um verdadeiro sucesso.

A última marca a firmar parceria com um artista plástico famoso foi a The Row, marca das gêmeas Olsen, com Damien Hirst, o artista mais bem pago da atualidade. O resultado dessa parceria é a intervenção de Hirst nas mochilas de couro de crocodilo da marca (que já custavam US$ 39 mil), transformando algumas de suas obras mais icônicas em 12 modelos de bolsas. E o que acontece quando o artista mais valioso cria em cima de uma bolsa desse valor? Mochilas de US$ 55 mil! Se a bolsa tem status de obra de arte, eu não sei, mas quanto ao preço, não há dúvidas.

Arte de vestir ou moda de pendurar na parede?

Por @ferdiprestes

Imagens: reprodução

03 de dezembro de 2012

Emmanuelle Alt e a confiança

Emmanuelle Alt, a super editora de moda da Vogue Paris, é conhecida por vestir sempre o mesmo estilo de roupa, que pode ser chamado até de uniforme: calça skinny, camisa e scarpin. Ela repete essa fórmula diariamente em seus looks, com pequenas variações, que são substituir a camisa por uma t-shirt, o scarpin por bota e acrescentar um blazer – nada muito além disso.

Para muitos, o estilo dela é sem graça, chato e sem ousadia. Já eu, penso que a opção de Emmanuelle é uma grande demonstração de autoconfiança. Provavelmente ela já experimentou muito no passado, já errou muito, e descobriu que é feliz vestindo apenas essas três peças e suas variações. Com esse look ela deve se sentir sempre confortável, segura e confiante para encarar qualquer situação e dificilmente estará mal vestida em algum lugar.

Emmanuelle é editora de uma das revistas de moda mais importantes do mundo e, por isso, muita gente deve esperar que ela seja uma vitrine do seu trabalho, vestindo sempre peças recém saídas das passarelas. Mas, com muita elegância e discrição – e uma boa dose de charme francês – ela optou por deixar que o seu trabalho fale por ela, ao invés de se sobrepor a ele com um estilo extravagante. E, diga-se de passagem, seu trabalho a frente da revista está melhor a cada edição.

Bem, o que eu quero dizer com tudo isso é que a moda e as roupas estão aí para nos deixarem mais bonitas e confiantes, e não para nos fantasiarmos na tentativa de ofuscar possíveis inseguranças. Nossa tendência é sempre pensar que é preciso muita coragem para se vestir como uma fashion victim radical, mas eu penso o contrário: ousadia muito maior nos dias de hoje é resistir às armadilhas da moda, sair de cara limpa e, como bem faz Emmanuelle Alt, assumir o “uniforme” que lhe faz bem.

Por @ferdiprestes

Imagens: Stockholm StreetStyle, NY Mag e La Modella Mafia

 

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